quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

AOS ENFERMEIROS DESSE MUNDO

Este blogue tem a obrigação de fazer hoje uma homenagem aos enfermeiros deste país. Como sabem, a classe dos enfermeiros iniciou hoje uma greve de três dias por mais justiça na atribuição de salários. Em causa, aquilo a que chamam uma discriminação, pelo facto dos enfermeiros licenciados receberem menos que qualquer outro licenciado da função pública. Uma medida, dizem, que mostra desrespeito para com uma classe com grande papel social e que é, assumem, o pilar da saúde portuguesa.

A última greve de enfermagem aconteceu no dia em que eu e a Ana João tivemos alta da pediatria (Abrantes). Naquele dia, 12 de Maio de 2009, a azáfama que normalmente se fazia sentir nos corredores do piso da pediatria, deu lugar a um silêncio aterrador. Sem enfermeiros (tirando os que ali estavam para cumprir os serviços mínimos) pouco se fazia por ali.

Quando hoje ouvi falar no papel social dos enfermeiros lembrei-me do que essa classe foi para nós durante os quinze dias que estivemos no hospital. Não me esqueço do enfermeiro que deixou o seu trabalho para se mudar de plantão para a incubadora da AJ. Levou o livro e sentou-se ali. Tinha ordens para atender exclusivamente a minha menina. Não me esqueço da enfermeira que me ensinou a dar de mamar à minha princesa. A mesma que me "atirou aos lobos" e me obrigou a dar o primeiro banho à minha filha e a preparar sozinha o biberon que lhe dava depois da mama. Não me esqueço da enfermeira que me descansou, fazendo-me acreditar que de facto tudo estava bem. Não me esqueço da enfermeira que me ensinou a ligar a minha filha à máquina de apneia do sono e que me mostrou que a incubadora não era um bicho de sete cabeças, mas antes o ventre que a minha filha deixou tão cedo. Não me esqueço dos enfermeiros que estiveram lá para mim com palavras de força, nos momentos em que as forças mais me faltavam. Não me esqueço, em suma, dos enfermeiros que cuidaram, mimaram e até, nem que tenha sido por dias, amaram a minha filha.

Enfermeiras houve (reparem que coloco no feminino, porque foram mesmo só mulheres) a quem me deu vontade de bater (e ainda acredito que um dia as vou encontrar num qualquer beco escuro...tenho esperança), mas essas eram uma excepção.

Ninguém se atreva a colocar esse papel social em dúvida. Durante 15 dias valeram-me os enfermeiros. Foram os melhores amigos da AJ e foram, mesmo sem saberem, meus grandes amigos também, foram ombros para o meu conforto e foram, sem dúvida, um bocadinho da minha família. Ainda hoje penso neles com o maior carinho possível e não consigo pensar nos quinze dias melhores e mais difíceis da minha vida, sem pensar em todos eles.

Aos enfermeiros, que por essas unidades de saúde fora, fazem a dor doer menos...

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